30 de agosto de 2026

A imprensa na guerra híbrida, por Luís Nassif

Por que essa insistência dos jornalões numa campanha que arruína sua própria credibilidade e não convence sequer seus próprios jornalistas?
Jean-Michel Basquiat

Lula e Emílio Odebrecht discutiram influência dos EUA sobre Globo durante a Lava Jato, segundo relato de testemunha.
Casa Branca aplicou sanções a Alexandre de Moraes em 2025, retiradas após ligação entre Trump e Lula e recuo de tarifas.
EUA usam múltiplas medidas, como restrição de vistos e tarifas, para pressionar Brasil em questões econômicas e de mídia.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Em plena Lava Jato houve uma reunião reservada entre Lula e Emílio Odebrecht, presidente da construtora. Um dos assuntos tratados foi a posição da Rede Globo na campanha de desestabilização.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Emílio foi taxativo:
— Os Estados Unidos conseguiram amarrar a Globo.

O relato me foi feito por pessoa presente ao encontro.

Provavelmente referia-se ao inquérito da Fifa, que alcançava a Globo em cheio, por negociações de contratos de copas na América do Sul. A Globo efetivamente se livrou. O peso da condenação recaiu sobre J. Hawilla, seu braço operacional.

Este é o primeiro passo para entender a posição dos grupos de mídia em relação à campanha eleitoral atual, que transformou um caso irrelevante — a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, sem nenhum contrato fechado com o governo — em cobertura maior do que os crimes comprovados atribuídos a Flávio Bolsonaro.

A atuação da mídia é hoje mais imprudente do que nos tempos da Lava Jato. Lá, havia crimes a serem apurados. Criou-se uma onda tão forte, um movimento de manada, que arrastou ou silenciou jornalistas, intimidou ministros do Supremo e escancarou o país ao bolsonarismo que se seguiu.

Hoje o caso é mais grave. Não há crime a ser investigado, apenas movimentações, tentativas de lobby que não resultaram em um contrato sequer. É uma manipulação reiterada dos três jornalões, mantendo Fábio Luís no foco através da repetição de acusações, totalmente conduzidos pelas fontes — um delegado da Polícia Federal provavelmente servindo no gabinete de André Mendonça.

Por que essa insistência dos jornalões numa campanha que arruína definitivamente sua própria credibilidade e não convence sequer seus próprios jornalistas?

A explicação está na guerra híbrida.

A ofensiva de Trump

Em 2025, a Casa Branca justificou medidas contra o Brasil citando “censura” e proteção da liberdade de expressão de americanos. Em julho daquele ano, sancionou Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky Global, acusando-o de usar o cargo para autorizar prisões preventivas arbitrárias e suprimir a liberdade de expressão no Brasil; em setembro, estendeu a sanção à mulher do ministro e a uma empresa ligada à família. As sanções foram retiradas em dezembro de 2025, dias depois de uma ligação entre Trump e Lula, no mesmo movimento em que Washington começou a recuar de tarifas pesadas sobre produtos brasileiros.

Em julho de 2025, a Casa Branca já havia declarado formalmente que ações brasileiras ameaçavam a segurança nacional, a política externa e a economia dos EUA, afetando cidadãos e empresas americanas. A partir daí, a USTR (Representação Comercial dos EUA) enquadrou práticas brasileiras relativas a comércio digital e plataformas americanas numa investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Em 1º de junho de 2026, concluiu que essas práticas eram “acionáveis”; em 15 de julho, anunciou tarifa adicional de 25% sobre boa parte das importações brasileiras, em vigor desde 22 de julho.

A partir daí, há um arsenal de medidas. Em sete níveis.

  1. A arma mais sutil: publicidade das multinacionais americanas

Imagine a Globo, a Folha, o Estadão, o UOL ou qualquer outro veículo brasileiro publicando material que Washington considere parte de uma estrutura de “censura”, de perseguição a aliados de Trump ou de pressão sobre empresas americanas.

O governo não precisa ordenar à Coca-Cola, ao Google, à Meta, à Amazon, à Microsoft, à Visa, à Mastercard, à GM etc. que parem de anunciar. Basta criar um risco de compliance. Uma orientação administrativa, uma declaração do Departamento de Estado ou uma investigação do Congresso americano podem sustentar que financiar determinadas organizações brasileiras representa apoio econômico a agentes envolvidos em violações da liberdade de expressão de americanos.

Nesse momento, o problema muda de natureza. A decisão deixa de ser do diretor de marketing brasileiro e passa para o compliance, o jurídico e as relações governamentais da matriz nos EUA. Isso pode produzir de-risking: “não sabemos se haverá sanção, mas é melhor não correr o risco.” É provavelmente a forma mais eficiente de pressão, porque não deixa a impressão digital de uma ordem governamental.

  1. OFAC e Global Magnitsky: a arma nuclear financeira

Aqui existe precedente concreto brasileiro. O Tesouro americano colocou Alexandre de Moraes na lista de sanções Global Magnitsky em julho de 2025 e, depois, atingiu sua mulher e uma empresa vinculada à família. Essas designações foram retiradas em dezembro de 2025.

Se o governo resolvesse sancionar um empresário de mídia, executivo, empresa ou organização ligada a um grupo de comunicação, o efeito poderia ser muito maior do que simplesmente congelar patrimônio nos Estados Unidos. O sistema OFAC gera enorme aversão a risco: bancos internacionais, bandeiras de cartão, processadores de pagamento, plataformas tecnológicas, seguradoras e fornecedores americanos passam a examinar a relação. Uma sanção dirigida ao controlador ou à empresa central de um conglomerado poderia contaminar comercialmente outras empresas do grupo.

  1. Vistos: pressão sobre jornalistas, executivos e organizações

Esse instrumento já deixou o terreno hipotético. Em maio de 2025, o secretário de Estado Marco Rubio anunciou uma política de restrição de vistos voltada a “estrangeiros que censuram americanos”, visando autoridades que “exigem que plataformas de tecnologia americanas adotem políticas globais de moderação de conteúdo” ou pratiquem censura que ultrapasse sua jurisdição e alcance os Estados Unidos.

A política chegou a atingir europeus ligados à regulação de plataformas e a pesquisadores de desinformação. Transposta ao Brasil, poderia atingir — dependendo da interpretação do Departamento de Estado — autoridades, dirigentes de ONGs, pesquisadores e eventualmente pessoas ligadas a organizações de mídia que Washington acusasse de participar de mecanismos de censura.

Há, porém, uma ressalva importante: a política já sofreu limitações judiciais nos EUA. Em 14 de julho de 2026, o juiz federal James Boasberg, do Distrito de Columbia, suspendeu a aplicação da política contra pesquisadores de desinformação e moderação de conteúdo, no caso Coalition for Independent Technology Research v. Rubio, por entender que ela provavelmente viola a Primeira Emenda ao discriminar um ponto de vista específico.

  1. Seção 301: atingir o ambiente econômico brasileiro

Essa é uma ferramenta particularmente poderosa porque Trump já percorreu todas as etapas relevantes contra o Brasil. A USTR afirmou expressamente que tribunais brasileiros emitiram ordens dirigidas a empresas americanas de redes sociais e tratou isso como questão que restringe o comércio americano. Em julho de 2026, veio a ação concreta: tarifa adicional de 25% sobre boa parte das importações brasileiras.

Isso permite algo politicamente interessante: retaliação econômica ao Brasil justificada como defesa de empresas americanas, sem precisar sancionar diretamente um jornal. A mensagem implícita: “as políticas brasileiras contra empresas e cidadãos americanos têm custos comerciais.” O alvo jurídico é o Estado brasileiro; a pressão política alcança o STF, o Congresso, o governo, as plataformas e, indiretamente, o ecossistema de mídia.

  1. Contratos e compras do governo americano

Amazon/AWS, Microsoft, Google, Oracle, IBM, empresas de telecomunicações e financeiras têm relações contratuais e regulatórias gigantescas com Washington. Um governo dispõe de grande capacidade de produzir incentivos reputacionais e regulatórios. Não significa que possa dizer legalmente “retire a publicidade da Folha” — mas uma empresa que depende de bilhões de dólares em contratos federais tem fortes razões para acompanhar de perto as prioridades políticas da administração.

A investigação jornalística interessante, portanto, não seria procurar uma ordem escrita de Trump. Seria medir mudanças coordenadas no comportamento publicitário das subsidiárias brasileiras de empresas americanas depois de pronunciamentos, sanções ou orientações vindas de Washington.

  1. Plataformas americanas: um ponto de estrangulamento maior que a publicidade

Aqui talvez esteja a vulnerabilidade mais importante. Um grupo de mídia brasileiro depende de empresas americanas para busca e distribuição (Google, YouTube, AdSense), redes sociais (Meta/Facebook/Instagram), aplicativos (Apple/Google), nuvem (Amazon/Microsoft/Google) e pagamentos de assinatura (Visa/Mastercard e processadoras). A publicidade é apenas uma camada. Uma combinação de restrições comerciais, financeiras e tecnológicas poderia afetar simultaneamente distribuição, monetização, pagamentos, hospedagem e acesso ao público.

É por isso que a política americana de “defesa das plataformas” merece ser analisada não só como questão diplomática, mas como uma nova modalidade de extraterritorialidade tecnológica — o mesmo tipo de mecanismo já usado, por exemplo, contra bancos europeus em sanções ao Irã.

  1. Pressão informal sobre anunciantes

Esta seria a modalidade mais difícil de documentar, e talvez a mais eficiente. Não é necessária uma determinação presidencial. Uma reunião entre o Departamento de Estado e executivos; uma audiência parlamentar; uma carta de congressistas; uma declaração pública de Rubio; uma investigação da USTR; ou simplesmente a pergunta de um funcionário americano — “sua companhia está financiando organizações envolvidas na censura de cidadãos americanos?” — pode bastar para que departamentos jurídicos recomendem suspender publicidade. Não seria uma sanção formal. Seria compliance induzido pelo Estado.

Uma escalada poderia funcionar assim:

Departamento de Estado classifica determinada atuação brasileira como ataque à liberdade de expressão americana → Tesouro/OFAC + USTR + política de vistos elevam o risco jurídico para empresas americanas → matrizes acionam compliance → Google, Meta, bancos, anunciantes e provedores tecnológicos reavaliam relações → o veículo brasileiro perde publicidade, serviços financeiros ou infraestrutura.

O detalhe fundamental é que os últimos três passos podem acontecer sem nenhuma ordem pública do governo americano. É aí que a hipótese de “empresas transformadas em agentes do Estado” se torna jornalisticamente mais interessante: não por comando direto, mas pelo uso da dependência regulatória e econômica para produzir comportamento privado alinhado à política externa.

Há um precedente contemporâneo relevante dentro dos próprios Estados Unidos: organizações de mídia americanas vêm denunciando e litigando contra pressões regulatórias e judiciais da administração Trump — o próprio Financial Times registrou a reação crescente de grupos de mídia a esse tipo de pressão.

LEIA TAMBÉM:

Receba os artigos de Luís Nassif pelo WhatsApp

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Anônimo

    24 de agosto de 2026 2:06 pm

    Talvez Trump/Rubio sejam boas e fortes desculpas. Mas quem fez a invasão da sede da FIFA e prendeu tantos dirigentes foi Obama. As justificativas imperiais para ação dos dias atuais tem por base legislação do período de Obama. Mas, nos casos Globo/FSP/Estadão e congêneres, talvez e mais provável nem fosse necessário. Afinal, as manipulações eleitorais em 1982 (Proconsult), de 1989, de 1994, de 1998, de 2002 (um pouco menores, é fato), de 2006 (mensalão e tudo mais) não tinham nem Trump nem Obama como desculpas esfarrapadas. Eram só e tão somente a velha luta política, no qual os representantes das classes proprietárias fazem tudo e mais alguma coisa para não largar o filé mignon do poder que sempre tiveram e julgam ser donos por delegação divina. A Globo nunca precisou de outros para lhe impor/dizer o que fazer: ela tem clareza de seu lado e de está quem defendendo/atacando quando toma suas ações. É ingenuidade pensar que seria diferente.

  2. grevista

    24 de agosto de 2026 3:52 pm

    Talvez Trump/Rubio sejam boas e fortes desculpas. Mas quem fez a invasão da sede da FIFA e prendeu tantos dirigentes foi Obama. As justificativas imperiais para ação dos dias atuais tem por base legislação do período de Obama. Mas, nos casos Globo/FSP/Estadão e congêneres, talvez e mais provável nem fosse necessário. Afinal, as manipulações eleitorais em 1982 (Proconsult), de 1989, de 1994, de 1998, de 2002 (um pouco menores, é fato), de 2006 (mensalão e tudo mais) não tinham nem Trump nem Obama como desculpas esfarrapadas. Eram só e tão somente a velha luta política, no qual os representantes das classes proprietárias fazem tudo e mais alguma coisa para não largar o filé mignon do poder que sempre tiveram e julgam ser donos por delegação divina. A Globo nunca precisou de outros para lhe impor/dizer o que fazer: ela tem clareza de seu lado e de está quem defendendo/atacando quando toma suas ações. É ingenuidade pensar que seria diferente.

  3. I A DO JUZÉ AQUI E LÁÁÁ

    24 de agosto de 2026 6:34 pm

    Resposta.:Credibilidade não importa o q importa é utilizar os meios de.comunicação para a mudança de percepção das pessoas com o objetivo de manipular e conseguir lucro,concentração de renda ao.extremo já q quase todos donos de mídia viraram especuladores financeiros e ou do Agro !!!

  4. emerson57

    25 de agosto de 2026 9:55 am

    “Por que essa insistência dos jornalões numa campanha que arruína sua própria credibilidade e não convence sequer seus próprios jornalistas?”
    Porque na hora de derrotar o PT para manter os privilégios dos ricos nacionais e estrangeiros…… “NÓIS CAPOTA MAS NÃO BRECA”

  5. Veritas

    26 de agosto de 2026 10:59 am

    Os Ingleses e americanos (são as mesmas famílias que dominam e governam os moinhos do norte há séculos) já invadiram, surrupiaram e tomaram parte de poder ou riqueza do Brasil algumas vezes.
    Durante os séculos XVI e XVII, principalmente por meio de corsários britânicos, aventureiros com proteção legal e oficial de seu país de origem e que dividiam o lucro das expedições com o governo, atacavam embarcações e povoações pertencentes aos impérios ibéricos, sem buscarem dominar explicitamente o território.
    Em 1703, a Inglaterra celebrou com Portugal um acordo de comércio denominado “Tratado de Methuen”, no qual a Inglaterra dava a Portugal a preferência na importação de vinhos e este se obrigava a adquirir tecidos da Inglaterra. Tecidos, ferramentas e utensílios ingleses eram supervalorizados. Resultado, a Inglaterra levou grande parte de nosso ouro e Brasil e Portugal ficaram sem indústria por séculos.
    Em 1762, os ingleses expulsaram os jesuítas do Brasil e Portugal através do Marquês de Pombal, um pau mandado filiado à maçonaria inglesa que governava Portugal. Consequência, o Brasil ficou sem colégios e instituições de ensino por quase um século, tínhamos apenas professores particulares para as elites.
    No processo de Independência, 1822, ingleses reconheceram nossa independência, mas tivemos que contrair uma dívida milionária. De quebra, levaram nosso grande mercado consumidor sem indústrias próprias até a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (1941).
    Em 15 de novembro de 1889, ingleses aliados a militares pseudo-brasileiros e Rui Barbosa, liderança republicana da época, aplicaram um golpe militar contra D. Pedro II e acabaram com a Monarquia, inaugurando a República Velha. Na época, escolas de qualidade estavam sendo instaladas, como o Colégio D. Pedro II e os Liceus de Arte e Ofício, tínhamos a segunda maior e melhor Marinha do mundo, e com novos investimentos advindos do sucesso do café estávamos prestes a se tornar a primeira do mundo, ultrapassando os ingleses. Neste Brasil os coronéis ruralistas, militares e burocratas pseudoliberais, tomaram o poder e dele não desapearam até hoje.
    Em meados do século XX, diante da criação da Vale do Rio doce (1942), da Petrobrás (1953), o sucesso da Colônia Agrícola Nacional de Goiás (CANG) ou popularmente Colônia Agrícola de Ceres (1941), início do processo de interiorização crescente do Brasil, os ingleses e americanos com apoio da pseudo liberal UDN de Lacerda e PSP de Ademar de Barros, dos jornalões, seus jagunços e militares armam um atentado contra o Presidente da República e tiram a vida de Getúlio. Adiam um golpe de estado por 10 anos.
    Em 1964, ingleses e americanos com apoio do mesmo grupo político e de parte da igreja católica dão um golpe de estado e derrubam o governo democrático de Jango e as reformas de base. Entramos na longa noite da ditadura militar até 1989.
    Em 22 de agosto 1976, americanos e ingleses, por meio da CIA, especificamente da operação Condor, assassina Juscelino Kubitschek, nossa principal liderança nacional desenvolvimentista, que lutava pelo processo de redemocratização e plena soberania do país. Em 06 de dezembro de 1976, a mesma operação Condor assassina João Goulart, outra liderança nacional desenvolvimentista.
    No Brasil contemporâneo, o Departamento de Estado norte americano aplica mais um golpe de estado, através da operação Lava Jato. Com apoio de grupos políticos de direita, jornalões, militares e grupos evangélicos, esta operação tem como desfecho o impeachment da presidente eleita Dilma Roussef, substituída pelo vice Michel Temer e a prisão ilegal do candidato Lula, com a consequente eleição de Bolsonaro. Neste contexto, o pré-sal foi em grande parte vendido a baixo preço. O Fundo Nacional do petróleo, que destinava 75% dos royalties do petróleo e 25% do Fundo Social do petróleo para investimentos em saúde e educação foi desfeito. Nossas principais empresas exportadoras de serviços de engenharia, Odebrecht, OAS e Braskem, foram fortemente atingidas e em grande parte destruídas.
    Na atualidade, tentativas de reeditar a operação lava jato vêm sendo impulsionadas pelo mesmo grupos político de americanófilos, extrema direita, jornalões, evangélicos, setores do judiciário. Ao mesmo tempo altas tarifas são aplicadas a nossas exportações para os Estados Unidos pelo governo Trump. Também foi mudada a classificação americana para grupos de criminosos brasileiros, agora considerados terroristas, uma medida de caráter unilateral e governamental e, mais uma vez, extraterritorial dos EUA. O Decreto autoriza o congelamento de ativos financeiros, bloqueio de contas, sanções a empresas ou bancos envolvidos e restrições de visto para pessoas ligadas a tais grupos. Ainda há fazendas de fake News, sem o impedimento tempestivo das big techs trumpistas. Toda estas são armas da guerra híbrida que buscam tumultuar o processo eleitoral brasileiro e diminuir nossa soberania e independência. Hoje, as terras raras e as grandes descobertas de petróleo do norte e nordeste, além do potencial tecnológico da Embraer, do ITA, da Embrapa e de nossos jovens cientistas e engenheiros, muito interessam aos EEUU.
    Em suma, notamos que a Inglaterra e os Estados Unidos com apoio de um mesmo grupo político e seus descendentes, ao longo de toda a nossa história, sempre promoveram ações destrutivas em nosso processo de formação educacional, econômica e política com vistas a extraírem riquezas, nossas grandes reservas minerais e recursos humanos, e benefícios de seu interesse, impedindo a estruturação, com dignidade, da sociedade brasileira e impossibilitando nosso desenvolvimento econômico e social, bem como nossa plena Soberania e Independência política e econômica.

Recomendados para você

Recomendados